Repensando Museus


Os museus devem pensados para além de seus acervos… Abrindo o debate sobre o ambiente formativo

segunda-feira, 13 de agosto de 2012 12:26

Considerando os serviços que o blog Guaranésia Memórias vem desenvolvendo,postamos aqui materia publicada no Repensando Museus  e  Repensando Escolas que trata exatamente das questões que estamos lidando.

Vale a pena ler.
“Como sabem, também estou à frente do BLOG Repensando Escolas. Na medida em que lá estou colocando aos poucos os resultados da consultoria que fiz sobre o Ciclo da Alfabetização, assuntos vão surgindo a partir dos achados na pesquisa. Relendo o que escrevi para a próxima 4f, dia 15/8, me dei conta que a questão dos ambientes formativos poderia ser um tema igualmente interessante para este BLOG do Repensando Museus – e cá estou eu provocando sua reflexão sobre isso.
Se nas escolas os Projetos Político Pedagógicos (PPP) refletem sua identidade, isto é, seus modos de ser, agir, pensar e existir; suas finalidades e metas; objetivos e estratégias – nos museus, isso cabe nos Planos Museológicos. Entendido assim, esses planos/projetos são compostos por um conjunto de normas e princípios orientadores de suas ações cotidianas. Se o objetivo maior das instituições educativas – sejam elas de educação formal, como as escolas; sejam elas de educação não-formal, como os museus –é favorecer uma produção de conhecimento, plena de significação, aos sujeitos que as frequentam, cabe ao plano/projeto debruçar-se sobre seus conhecimentos específicos e pensar em estratégias e meios de as pessoas apre(e)nderem, considerando toda a diversidade e adversidade presentes. Portanto, ao estruturarmos estas estratégias e meios temos que ter em mente que escolas e museus não são instituições apartadas da vida; e que suas funções não se encerram neles mesmos e, assim, nosso desafio como instituição educativa é sempre sublinhar a importância do conhecimento para a melhoria da vida dos sujeitos.
Mas em que nossa vida melhora por irmos ao museu?! Essa pergunta é tão simples que se torna enormemente complexa de ser respondida. E para fazê-lo, coloco alguns a priores: para que eu possa ser tocado/transformado pela experiência museal, antes de tudo, preciso assumir que usufrui plenamente desta experiência. E como o foco maior deste BLOG é pensar nas crianças como contempladoras ativas das esferas museais, começo essas reflexões problematizando a infraestrutura dos museus para atendê-las – condição para que aproveitem e, consequentemente, tenham suas vidas afetadas/melhoradas.
Se estamos falando de um museu e, portanto, de um espaço educativo, ele tem que se preocupar em estruturar e consolidar um ambiente formativo – e este implica, necessariamente, em um espaço acessível e inclusivo, que passa pelo espaço físico, sua organização, a museografia, os materiais de comunicação diversos, os sujeitos mediadores – tudo isso compõe o ambiente museal.
No texto que escrevi para o BLOG Repensando Escolas, citei a pesquisa de Vera Ireland publicada em 2007, intitulada Repensando a escola: um estudo sobre os desafios de aprender, ler e escrever. Ela foi realizada em 2003 abrangendo todo território brasileiro, e apontou que as salas de aula não são descritas como locais atraentes às crianças. E eu pergunto: os museus o são? Ou será que continuam se mostrando como espaços restritivos, para poucos? Espçaos silenciosos e sagrados?
Prosseguindo nas analogias entre as duas postagens, digo que os museus, para se consolidarem como espaços formativos bem implementados para os pequenos, precisam estruturar  seus espaços físicos para que viabilizem, tanto a visitação de pessoas individuais, quanto em pequenos e grandes grupos; precisam criar formas de explicitar que seu espaço congrega e acolhe as diversas identidades infantis ali circundantes, fomentando a percepção de pertencimento nas meninas e meninos visitantes; precisam entender que seus espaços devem favorecer o desenvolvimento da expressão autônoma e autoral de todos os sujeitos nele envolvidos em suas múltiplas linguagens – oral, corporal, gráfica… – em outras palavras: espaços onde meninas e meninos possam apropriar-se e produzir conhecimentos de forma significativa durante sua visitação.
Para isso, várias dicas e comentários já foram feitos em postagens bem mais antigas: que vão desde aspectos mais gerais – tem banheiro com trocador? Vasos sanitários pequenos? Pia baixa? Local para passar/estacionar carrinhos de bebê?… Até aspectos mais diretos da museografia: a altura das vitrines – e outras opções para existência das vitrines; o tipo de legenda – com mais imagem, menos texto; o tipo de proposta – mais interativa e desafiadora. Também o olhar do setor educativo faz toda a diferença neste processo: a forma como os mediadores se relacionam com as crianças – sem subestimá-las ou superestimá-las; o material comunicacional – sendo questionador e não imperativo, e mais lúdico e menos baseado apenas no acúmulo de informações, além de mais imaginativo e menos sisudo… Enfim! Tudo isso agrega o ambiente formativo e deve estar voltado a envolver e cativar as crianças desde bebês!
Parece-me importante poder finalizar este post lembrando que, ao colocar a criança em estreito contato com o mundo através dos museus, estamos ampliando e qualificandoseu acesso às variadas formas de expressão, à diferentes aspectos da história da humanidade, à diversidade de olhares, à crítica, à reflexão social etc. – por isso o museu contribui diretamente com sua formação e melhora as suas vidas! Ops! Melhora as nossas vidas! =) ”

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