Casa da Memória tem as atividades paralisadas

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Casa da Memória de Guaranésia completa 10 anos

A Casa da Memória de Guaranésia funcionou por 14 anos  em um casarão da pça. Cel. Paula Ribeiro.

Nova sede deve estar em funcionamento dentro de dois meses

Na última quinta-feira (29) todo o acervo que era guardado e exposto na Casa da Memória foi transferido para vários locais, pois em razão de desencontros nas negociações sobre a renovação de locação do imóvel, não foi mais possível a permanência do único museu da cidade do local.

O assunto já no fim de semana gerou questionamentos na cidade, principalmente críticas ao departamento de cultura, que é tido por muitos como departamento de festas, dado ao quase inexistente projeto cultural da cidade onde nada até então fora apresentado neste sentido além da morosidade (já que advém desde 2005, ou seja neste 2015 se completa 10 anos) na reforma e restauração do Centro Cultural.

Segundo informações e declarações do Diretor de Cultura Alberto Emiliano (Preto), em programa de rádio, houve a necessidade de mudança de endereço da Casa da Memória para outro local em razão de pendências documentais por parte dos proprietários do imóvel e desta forma o poder público através do departamento de cultura não poderia renovar o contrato de locação.

Com este problema em mãos, decidiu-se transferir todo o acervo da Casa da Memória para a antiga estação, devendo antes o imóvel ser reformado e adaptado, porém antes o imóvel onde até então funcionava a Casa da Memória, também passará por reformas, para ser devolvida aos proprietários.

Neste meio tempo, o acervo está “guardado” na biblioteca municipal, antiga sala de música no Centro Cultural (que passa por reformas), poliesportivo e Estação, devendo ser reunido e exposto na nova Casa da Memória dentro de dois meses, prazo dado pelo diretor de Cultura para que as obras sejam concluídas, já que serão realizadas pela própria prefeitura com recursos dos repasses de ICMS Cultural.

Já o Departamento de Cultura e Turismo, que também funcionava em sala dentro da Casa a Memória, passou a funcionar no Paço Municipal (prefeitura) onde antes funcionava o Departamento de Educação.

Um pouco de história

O projeto Casa da Memória foi idealizado pelo museólogo guaranesiano Ivan Soares David (também idealizador do Centro Cultural Professora Fernandina Tavares Paes) ainda na administração Narciso Lopes e foi inaugurado em 2001 dentro das comemorações do centenário de Guaranésia e dentre os vários objetivos do espaço, além de um museu permanente dedicado a abrigar e manter viva a história da cidade, possuía vários elementos como Sala Irmãos Mazotti e a Sala Monitor Mineiro que foram totalmente desconfiguradas ao longo do tempo e mesmo projetos como “Projeto Raízes” que tinha como objetivo formar um banco de dados com biografias dos cidadãos e das famílias guaranesianas para acesso via computador na Casa da Memória e na Internet, onde foi obtido de graça um programa/software de busca e ganhou um computador gentilmente doado Roberto Capobianco (Faz. Catitó) para o projeto, contudo o projeto raízes não saiu do papel.

Ainda em administrações passadas havia já a intenção de levar para a antiga Estação, todo o acervo da Casa da Memória e com a aquisição de uma locomotiva, seria criado um espaço recreativo, onde as pessoas poderiam visitar e ao mesmo tempo, poderiam ter momentos de lazer, com a criação de um café temático.

Repercussão

Na 1ª Reunião Ordinária da Câmara de Vereadores de Guaranésia, realizada na noite desta terça-feira (03), o vereador José Osmar da Costa Jr apresentou requerimento, onde cobra maiores esclarecimentos sobre o este episódio e o vereador Felipe Nardi Laudade, que em sua fala sobre a indicação do colega disse temer pelos prazos dados e real retorno da Casa da Memória a atividade.

O Criador

Em contato com o idealizador da Casa da Memória, professor Ivan Soares David, o NIV ouviu dele em tom de desabafo o seguinte: “Mudanças são sempre bem vindas e que sejam para melhor. Sobre a Casa da Memória, posso dizer que já não é tanto problema meu porque a Casa foi criada por Lei e é responsabilidade da prefeitura administrar, não sou funcionário da prefeitura e portanto não tenho responsabilidade sobre ela, o que seja ou não gerida.

Tenho realizado o meu trabalho em pesquisas históricas contando com vários colegas de Guaranésia que me ajudaram e o museu, o centro cultural, o livro que publiquei são produtos deste meu trabalho; uns mais outros menos, como o museu que fui co-fundador, o livro que sou autor e o centro cultural que por mais que tenha feito o projeto e a proposta, “eles” chuparam e fizeram questão de me manter à margem, isso a muito anos atrás, mas era o mesmo prefeito de hoje.

A realidade agora é outra, estamos vivendo outro momento da história. A presença da internet, das redes e a possibilidade de expor nossas pesquisas e trabalhos vai além do espaço do museu físico instalado na Casa. O museu tem entre suas principais funções promover a convivência das pessoas com os objetos históricos e entre as pessoas. Isso é o que é importante. Conviver!

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