Família Vila


Família Vila

Antonio Vila Cid
Antonio Vila Cid

Antonio Vila Cid nasceu em Outeiro de Laxe-Tabuadela-Orense- Espanha em 19 de julho de 1867. Segundo filho do casal, Teresa Cid e José Vila e Vila, Antonio tinha três irmãos: José, Manoel e Ricardo.

Antonio emigrou sozinho para o Brasil em 1893, ficou algum tempo residindo no Estado de São Paulo, por volta de 1898 chegou a Guaranésia.

Carpinteiro, Antonio prestava serviço aos fazendeiros da região. Foi trabalhando na Fazenda de Severiano Gonçalves da Silva, que ele conheceu sua filha Hygina, ou Gina como todos a  chamavam, com quem se casou seis meses depois.

Hygina Maria de Jesus  nasceu em  11 de janeiro de 1877 em Guaranésia, recebeu esse nome, por ter nascido no dia de Santo Hygino. Moça  bonita, prendada, preparada para ser boa dona de casa, estava com 24 anos.Antonio solteiro, morando sozinho…trataram o casamento. Em 04 de maio de 1901 eles  casaram.

Gina e Antonio ao casarem receberam dos pais dela, Severiano Gonçalves da Silva e  Jesuína Escolástica  de Jesus  um sitio com terras férteis e produtivas para trabalharem.

Antonio abraçou com orgulho a profissão de lavrador, aproveitou a chance que a vida lhe dera e foi a luta,  comprou mais terra, ampliou seu sitio, que em pouco tempo transformou em uma belíssima propriedade.

Projetou e construiu uma bela e confortável casa, inspirado talvez, na arquitetura de sua Região na Espanha, com o terreiro de secar café na cobertura, sua casa era única, não existia outra igual na região.

Logo depois de casado, Antonio mandou vir seus irmãos, Ricardo da  Espanha, dois anos depois, Manoel( Mané ) que estava morando  na Argentina. Os irmãos Vila tinham bom nível de escolaridade, Manoel chegou mesmo a freqüentar a universidade.Solteiros, seus irmãos ficaram morando  e trabalhando com Antonio na Fazenda.

Empreendedor, ambicioso, dinâmico, organizado, Antonio multiplicou o que recebera de seus sogros.O sitio transformou- se na fazenda Santa Cruz do Pontal, produtora de café- homem antenado com seu tempo, era um leitor voraz, assinava jornais,encomendava livros,acompanhava a cotação do café no mercado internacional…

Antonio tinha muitos livros  dentre os diversos assuntos, existiam muitos de medicina. Diziam que ele conhecia a técnica da  hipnose. Antigos empregados da fazenda diziam que ele fazia as pessoas dormirem, outros diziam que ele era bruxo…seus filhos diziam que era brincadeira dele e não gostavam de falar sobre o assunto…Existe uma lenda em torno disso.

Gina cuidava da casa e dos filhos, o que já era muito, eles tiveram oito filhos,  Tereza, José( Pepe ), Adolpho, Riquelme, Helena, Eduardo, Rosa e  Hygina falecida aos sete meses.Esposa dedicada e prestimosa, sem ser submissa, Gina discutia  os negócios com o marido, que a consultava sempre sobre  as decisões que tomava.

Alice Cesário Dias e Adolpho Vila
Alice Cesário Dias e Adolpho Vila

Ela tinha muitas amigas que sempre a visitavam, dentre elas, Carlota Fonseca, a Carlotinha como todos a conheciam, e que no futuro viria falar sobre as qualidades de Hygina aos familiares que não a conheceram.

Antonio anotava em uma caderneta todos os dados de cada filho que nascia:data,hora, peso…tudo que estava relacionado com a criança naquele momento..essa caderneta era famosa… todos falavam nela…ela acabou desaparecendo no tempo.

Os Vila recebiam muita visita da cidade, principalmente, amigos de Antonio que vinham falar de negócios, discutir o preço do café, política e outros assuntos de interesses mútuos.Essa gente sempre ficava para almoçar ou jantar…

Tudo corria bem, negócios, filhos saudáveis, uma bela fazenda, até que um grande baque, marca profundamente a família  Vila.

Ao dar a luz a sua oitava filha, Higina morreu em 12 de julho de 1914, aos 37 anos de complicações pós- parto. Segundo parentes e conhecidos ela morreu de “ recaída de resguardo” Diziam que ela não se preocupava em guardar resguardo…mas na Certidão de Óbito consta que ela morreu de eclampsia puerperal.

A menina que ainda não tinha nome, recebeu o nome da mãe, e passou a ser amamentada pela esposa de um colono, que tinha um bebe quase da mesma idade, aos sete meses, Gininha, também veio a falecer.

Eduardo Vila, Geralda Vila, Helena
Eduardo Vila, Geralda Vila, Helena

Adolpho Vila tinha nove anos, e lembrava muito bem de sua mãe, ele dizia:” era muito triste, todos nós crianças vestidos de preto.Luto fechado durante um ano”Os filhos mais velhos Teresa, Pepe e Adolpho, lembravam e falavam da mãe com muito carinho.

Com a morte de Gina, as crianças foram educadas com a ajuda dos tios Manoel e Ricardo, elas foram alfabetizadas por eles. Educação rígida, quando tinha visita em casa, criança não aparecia na sala. Na casa sempre tiveram cozinheira, e outras pessoas que ajudavam  a cuidar das crianças e  das tarefas domesticas.

A vida  prossegue, os Vila continuaram progredindo,os  rapazes começam a trabalhar com o pai e os tios na Fazenda. As moças cuidavam da casa…

Por volta de 1920, Antonio Vila comprou automóvel, o que naquele tempo era um luxo, que poucos podiam ter. Tempos de prosperidade- de fartura-dinheiro não faltava…

Antonio investiu também em ações da Fabrica de Tecidos Santa Margarida…

Antonio não diversificava a sua lavoura-arroz, feijão, milho, leite… só para o consumo domestico- para o mercado era só café.

Foto de casamento de EMILIANA MORENO LESSA E RIQUELME VILA, em Guaranésia, 1928.
Foto de casamento de EMILIANA MORENO LESSA E RIQUELME VILA, em Guaranésia, 1928.

Um fato histórico de repercussão mundial, abalou profundamente a estabilidade econômica da família Vila- A Crise Econômica de 1929. O café caiu de preço no mercado internacional, levando muitos fazendeiros a bancarrota…

Abalados pela crise de 29, a família endividou- Antonio que até então era um homem de boa saúde passou a ter problemas gástricos…e a 26 de Agosto de 1933 ele  morreu de peritonite, segundo, sua Certidão de Óbito.

Manoel Vila morreu em 1935, dois anos depois,  em 1937, morreu Ricardo Vila. Os três irmãos  estão sepultados em Guaranésia.

Mané e Ricardo, não casaram e não deixaram filhos.

A Fazenda dos Vila  absorvia muita mão de obra, colonos, carreiros… para transportar o café precisava muitos carros de bois, e outros trabalhadores de modo geral..Os Vila deram uma grande contribuição para o  progresso de Guaranésia.

Sede da Fazenda dos Vila
Sede da Fazenda dos Vila

Endividados, os filhos venderam a fazenda, indo cada um cuidar de sua vida. Adolpho ainda ficou trabalhando muitos anos na lavoura. Pepe trabalhou muitos anos com carroça fazendo carretos. Com o passar do tempo, todos migraram para São Paulo, exceto Eduardo, que era comerciante e ficou em Guaranésia até sua morte em 06 de fevereiro de 1984. Geralda Vila, viúva de Eduardo está com 90 anos, lúcida, reside em Guaranésia.

Vista lateral da casa sede da Fazenda dos Vila
Vista lateral da casa sede da Fazenda dos Vila

Todos os filhos de Antonio Vila casaram com pessoas de famílias guaranesianas.

Os sete filhos de Antonio Vila  já  morreram.

A casa dos Vila na Fazenda Santa Cruz  do Pontal existe até hoje, porem o terreiro de café na cobertura foi substituído por telhado. Depois de passar por vários donos, a Fazenda pertence hoje ao Sr. Chico Messias.

Yvany Dias Vila, neta de Antonio Vila, filha de Adolpho Vila Gonçalves

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17 comentários em “Família Vila

  1. Ótimo trabalho Yvany! Parabéns pela forma clara e objetiva na descrição dos fatos. Se tivéssemos mais pessoas interessadas e dedicadas como você, com certeza nossa história, como um todo, seria ainda mais valorizada. Emocionante!!

  2. gostaria de obter mais informações,pois me chamo Rafael Luiz Silva de Vila e sinto muita vontade de saber mais sobre quem foram meus antepassados.se alguém poder me ajudar,ficarei muito grato. há um buraco na minha história é como dizem você só sabe para onde vai depois de saber de onde veio.conto com vocês muito obrigado.

  3. Estou muito emocianada, impressionada em ficar sabendo um pouquinho mais sobre o lugar que passei grande parte da minha vida, toda a minha infancia na verdade, momentos maravilhosos, enfim, um lugar maravilhoso. Na foto da em que mostra a sede eu estou la ao lado da minha vó e meus tios, me lembro deste dia apesar de ser bem pequenininha. Sou sou neta dos atuais donos da fazenda (Francisca Oliveira Gonçalves e Chico Messias), in memorian. Hoje a fazenda enfrenta um enventario onde ninguem sabe o que vai acontecer com este lugar tão lindo, ainda reside um tio e dois primos meus por la. Trabalham com leite. Porem achei muito interessante a historia pois amo este lugar, parabens meninas. Só para acrescentar sobre o terreirão de Café que ficava sobre a casa foi retirado quando minha mae e minhas tias bricavam la e minha tia se desequilibro e caiu, graças a deus nao aconteceu nada, porem, meus avós resolveram retirar, e construiram em outro lugar onde até pouco tempo ainda colocavam café.

      1. Oi Yvany, sou Marcia, hoje tenho 53 anos. Nasci em Guaranesia, e vivi até meus 16 anos. Em jan/77 vim embora pra Cuiabá, onde moro até hoje. Sou aposentada pela Caixa Econ Federal, tenho 02 filhos e graças a Deus estamos todos bem, eu e meus irmãos. Vendo a foto que tem a D.Geralda me emocionei muito, gostava muito deles, ia quase todos os dias lá. Eu morava na Várzea (perto da ponte), e meus pais eram Sr. Sebastião (apelido de Tião Traia, acho que era porque bebia muito, coitado) e D. Jorgina, meus irmãos Marcelo, Eunice, Eloisa e Neuza. A Eunice trabalhava na casa do Seu Deia (perto do açougue do Osmar) quando tinha entre 13 e 15 anos. Lembro que o Eduardinho ficava estudando feito louco – ele fez medicina nao foi? Lembro de todo mundo da Varzea e da Rua Julio Tavares. Das fazendas, do rio do Vilas, das festas na praca, com correio elegante e tudo mais, das queimadas na rua, das jabuticabas ( que nunca mais vou achar igual)’ dos trabalhos de escola feitos nas casas da Raquel , da Cassinha da D.Piida, dos professores D. Aparecida Taliberti, D. Neuza, dos amigos Soninha do Celeirinho, da Ana Beatriz, Regina, Neiva (apelido ds Maria Lucia Romanelli), Fátima Ruiz e meus amigos da Várzea. A D.Geralda ainda mora em Guaranesia? Tenho saudade daquele tempo, onde havia amizade, respeito dos mais jovens com os mais velhos, familias em paz. Meu contato fone 65-3661.7657 e E-Mail de minha filha anaclaudia17a@hotmail.com , fiquem com Deus e até um próximo contato.

  4. Estou verdadeiramente sem palavras por conhecer a história de meus antepassados e principalmente por saber que a Família Vila foi tão importante para a ciadade de Guaranésia. Me chamo Cristiane Vila filha de Marcos Vila e Vera Trindade Vila. Neta de Eduardo e Geralda Vila.

    Sr. Luiz Gonzaga, meu pai teve três filhos, Fabiano, Cristiane e Guilherme Vila e mora em São Carlos interior de São Paulo. Minha tia Maria do Carmo mora em Belo Horizonte há muitos anos. O tio Eduardinho se casou com minha tia Flávia Vila e tiveram também três filhas, Maria Candida, Heloisa e Ana Flávia Vila única neta casada e mãe de Ayla Lide. Meu tio também mora em São Carlos e minhas primas moram nos Estados Unidos.

    1. Cristiane, por favor me tire uma duvida, eu tenho a informação na miha arvore que vc é filha de Antonio MArcos Vila, por favor me esclareça, somos parentes 2 vezes pelos FErreiras da Trindade e pelo Severiano Gongalves da Silva
      me de seu e mail que lhe convido para acessar o Site de nossa familia
      whrichter_br@yahoo.com.br

  5. Olá, meu nome é Willians Gonçalves de Oliveira, sou filho da Rosa Maria Gonçalves e Neto de José Vila Gonçalves (Pepe). Fiquei emocionado ao ler este blog… Um abraço para todos vocês, parabéns!!!!

  6. fiquei surpreso em saber que o seu eduardo vila morreu em 84. não me esqueço do doce de coco que eu comprava dele na minha infância. e, evidentemente, da amizade com os seus filhos. sugiro que no caso destas famílias houvesse uma árvore genealógica, o desenho, para faciltar, e principalmente para incluir as pessoas que a gente conhece, mais jovens. eu gostaria por exemplo de saber os nomes e ter notícias dos filhos do marcos, eduardo (eduardinho) e maria do carmo, se é que todos têm filhos. e netos.

  7. WILLIAM,ANA LUÍZA,PARABÉNS!!!

    ESTOU EMOCIONADA E SENSIBILIZADA DE CONHECER A HISTÓRIA DA NOSSA FAMÍLIA.DE RESGATAR AS NOSSAS RAÍZES,OS NOSSOS ANTEPASSADOS, DA QUAL TENHO MUITO ORGULHO E SOU MUITO GRATA!!!
    SOU ADRIANA FILHA DA HENELY E JOSÉ FERNANDO ZACCARO COM MUITO ORGULHO,NETA DA VÓ HELENA(EM MEMÓRIA)
    DO QUAL TIVE POUCO CONTATO MAS MUITO CARINHO E AFEIÇÃO E BISNETA DO BISAVÔ ANTÔNIO VILA CID…
    QUE DEUS POSSA ABENÇOA-LOS ONDE ESTIVERES!!!
    MUITO OBRIGADA POR ESSA BENÇÃO!
    BJS NA ALMA

  8. Perfeito!! Adorei… Sem palavras de quanto orgulho se da em ver a história da familia sendo relembrada…

    Sou Ana Luiza, bisneta de Antonio Vila Cid (In Memorian), neta de Adolpho Vila (In Memorian) e Alice Dias Vila. E filha de Roberto Dias Vila (In Memorian)

  9. Surpreendente! É muito interessante saber como nossa família passou pelos fatos históricos e conhecer um pouco do perfil deles para entender como chegamos aqui.
    Mais uma vez, tia Vana, parabéns pela pesquisa e por sua dedicação!
    Obs: na falta da foto da bisa Hygina, coloca a foto da minha mãe, Hygina III rsrsrs

  10. Bela pesquisa, parabéns Yvany, gente como você não deixa que a historia da família caia no esquecimento, afinal somos conseqüência do passado de fatos históricos e em cada um de nos existe um pedaço do DNA dos nossos 2 pais, 4 avos, 8 bisavôs, 16 trisavôs, e assim por diante.

    se vc não se importar, copiarei seu trabalho para incluir as informações sobre a Hygina na minha pesquisa

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